Jogador brasileiro conta que torcedor morreu diante dele em partida no Egito
Governo e a polícia prometem punir responsáveis pela tragédia em Porto Said. Mas milhares de pessoas que foram na sexta (3) à Praça Tahrir acusam militares que ainda governam o país pelas mortes no campo de futebol
.No Egito, quatro pessoas morreram e centenas ficaram feridas em uma nova onda de protestos, nesta sexta-feira (3). Quem informa são os enviados especiais Carlos de Lannoy e Davi Cohen.
Por causa da tragédia, homens e mulheres lotaram a Praça Tahrir. Torcedores do Al-Ahly e do Zamalek, os dois times de maior rivalidade no Egito, como Flamengo e Fluminense ou Corinthians e Palmeiras, agora estão unidos para protestar contra a violência que matou 74 pessoas e que deixou o país em estado de choque. Cenas de paz que contrastam com novos enfrentamentos.
No Cairo, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Ambulâncias cruzavam o centro da cidade carregando dezenas de feridos. Duas pessoas morreram na capital.
Violência também em Suez, cidade no nordeste do Egito que fica a 120 quilômetros do Cairo. Um confronto entre manifestantes e policiais matou duas pessoas e deixou centenas de feridos.
Em Alexandria, manifestantes, muitos com bandeiras do Al-Ahly, foram às ruas. Um manifestante diz que, se nada for feito, muitos inocentes vão morrer.
O governo e a polícia prometem punir os responsáveis pela tragédia em Porto Said. Mas milhares de pessoas que foram nesta sexta-feira à Praça Tahrir acusam os militares que ainda governam o país pelas mortes no campo de futebol.
Um homem diz que muitos hoje acreditam que a violência foi premeditada. Os portões do estádio do Al-Masri estavam trancados com cadeado. "Não faz sentido morrer tanta gente assim se fosse apenas briga de torcida", acredita.
O brasileiro Fábio Júnior, atacante do Al-Ahly, chegou a pensar que não sairia vivo do estádio. Ele conta que um torcedor morreu diante dele em um dos vestiários do estádio de Porto Said.
“Eu vi aquele torcedor se batendo com o olho machucado, com a cabeça toda machucada, e saí descendo. Ali foi marcante para mim. Essa foi a imagem mais marcante, na hora que vi esse torcedor morrendo”, conta.
Fábio Júnior, que está com a mulher e dois filhos no Cairo, disse que agora está mais tranquilo. Mas não sabe se vai continuar jogando no Egito.

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